Odontologia
AMÁLGAMA DE PRATA OU RESINA COMPOSTA


RESTAURAÇÕES DE AMÁLGAMA DE PRATA OU RESINA COMPOSTA                                       EM DENTES POSTERIORES ?

 

 

O amálgama dental tem sido usado na Odontologia como material restaurador por mais de 150 anos e notadamente, com o aperfeiçoamento deste ao longo dos anos, faz com que o amálgama de prata continue sendo o material mais utilizado e mais indicado para restaurar os dentes posteriores em razão de suas excelentes qualidades. Porém, com a evolução da Odontologia Adesiva, as resinas compostas tornaram-se uma excelente alternativa ao amálgama de prata por devolver aos molares e pré-molares a função e especialmente a estética uma vez que, as resinas compostas são materiais constituídos basicamente por uma matriz orgânica (polímeros) e partículas inorgânicas que são de cor clara, ao contrário do amálgama que é uma liga metálica composta por limalha de prata, estanho, cobre e zinco unidas ao mercúrio vivo e portanto, de coloração escura.

 

É importante ressaltar que os materiais restauradores utilizados na Odontologia apresentam vantagens e desvantagens referentes às suas propriedades físicas e mecânicas, assim como as técnicas de manipulação e restauradora, que vão determinar a longevidade das restaurações. Nesse contexto, é importante entender que não é somente o fator estético que irá definir na escolha do material pelo profissional, mas sim, a análise criteriosa das diversas propriedades dos materiais para cada caso clínico, senão vejamos: o amálgama de prata é um material que não apresenta adesão às paredes do preparo cavitário, ele é retido na cavidade desde que esta apresente uma determinada profundidade. O preenchimento da cavidade se faz pela condensação do amálgama contra as paredes cavitárias até a sua total compactação.

 

O amálgama de prata é de fácil manipulação e a técnica restauradora é pouco sensível aos erros ou imperícias dos profissionais. Por ser uma liga metálica, o amálgama é um bom condutor de estímulos térmicos e elétricos o que torna necessário a presença de um material forrador em cavidades de média e grande profundidade. A resistência ao desgaste apresenta taxas com menos de seis micrômetros ao ano e que confere a este material uma excelente longevidade. A boa capacidade de polimento e o auto-selamento da interface dente/restauração pela deposição dos produtos da corrosão do amálgama, são outros fatores positivos deste material.

 

Com o advento da técnica do condicionamento ácido do esmalte por Michael Buonocore em 1955 e o desenvolvimento da resina composta de Bowen (1962), é que os materiais adesivos começam a desempenhar um papel significante na Odontologia. A grande vantagem dos materiais adesivos como, por exemplo, as resinas compostas é a preservação de estrutura dental sadia na confecção do preparo cavitário que consiste basicamente na remoção de tecido cariado e regularização das margens de esmalte. A adesão da resina composta aos tecidos dentais ocorre nas microporosidades do esmalte e dentina, provenientes do condicionamento ácido sendo, portanto, uma adesão micro mecânica. Outra característica importante das resinas compostas é a estética, pois a diversidade de marcas e cores encontrada no comércio é bastante grande o que torna possível ao profissional poder executar com excelência, restaurações da mesma cor e brilho dos dentes naturais. Da mesma forma que o amálgama de prata, as resinas compostas também apresentam boa resistência ao desgaste, porém, a técnica restauradora é mais sensível aos erros por parte do profissional exigindo deste, um relativo conhecimento científico e habilidade manual. A utilização da resina em dentes posteriores requer um campo operatório completamente seco, sem contaminação de saliva ou sangue que poderá prejudicar a adesão e comprometer o desempenho clínico da restauração ao longo do tempo. Esse isolamento absoluto do campo operatório é obtido com dique de borracha, grampos e arco facial. Na impossibilidade de se utilizar o isolamento absoluto, faz-se necessário por parte do profissional reavaliar a decisão de se usar a resina composta ou outro material adesivo. Apesar do aperfeiçoamento constante por parte dos fabricantes e pesquisadores, as resinas compostas ainda apresentam algumas deficiências tais como a contração de polimerização que pode ocasionar o surgimento de fendas na interface dente/restauração, o coeficiente de expansão térmica linear diferente dos tecidos dentais e a dificuldade de se obter uma correta relação de contato interproximal entre os dentes.   Diante da análise dos fatos e de evidências científicas é que o profissional quer seja ele especialista ou clínico geral, deve se orientar para poder estabelecer critérios na escolha de técnicas ou procedimentos restauradores assim como os materiais a serem utilizados em cada caso.

 

Dr. Leonardo Maciel Campos

Clínico Odonto SECOVIMED-RS

Mestre e Doutor em Dentística Restauradora pela Faculdade de Odontologia de Araraquara – UNESP

e-mail: dr.leonardocampos@gmail.com

 





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